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Estudo mapeia relação de pessoas negras com empresas, propaganda e consumo

Imagem: Michael Afonso/Unsplash

A relação das pessoas negras com o mercado de trabalho, sua representatividade na sociedade e nas mídias, bem como seu comportamento de consumo no Brasil estão no foco do “Relatório Pessoas Negras no Brasil”, realizado pela Opinion Box, em parceria com o Movimento Black Money.

No mês da Consciência Negra, o estudo parte de um dado estrutural – o mapeamento da percepção do racismo na sociedade –, para apontar seus desdobramentos nas demais áreas. Entre os respondentes, 83% acreditam que a sociedade trata com diferença pessoas brancas e negras. Mais da metade (60%) das pessoas negras entrevistadas acreditam que o Brasil é um país racista. O número cai entre as pessoas não negras, mas continua sendo a maioria (53%).

Ao todo, foram ouvidas 2.113 pessoas acima de 16 anos com acesso à internet, por meio de questionário em plataforma online. Os entrevistados são de todas as regiões do país, das classes ABCDE, distribuídos de acordo com parâmetros do IBGE. A coleta foi realizada ao longo do mês de setembro de 2022.

Mercado de trabalho

Uma das grandes barreiras criadas pelo racismo está no mercado de trabalho. Entre os respondentes negros, 23% acreditam que sua cor dificultou de alguma maneira a entrada no mercado de trabalho. E 65% disseram que falta muito para que empresas acolham melhor os profissionais negros. Entre todos os respondentes, 78% concordam que as empresas deveram criar medidas para responsabilizar e punir quem comente discriminação racial no trabalho.

Representatividade

O relatório mapeia como está a percepção da representatividade negra em diversas esferas – música, filmes e séries, política, esporte, jornalismo, entre outros – na visão de negros e não negros. Na maioria das áreas, a noção geral é de aumento na representatividade negra, embora essa percepção seja bastante diferente entre negros e não negros.

Na publicidade, por exemplo, 70% das pessoas não negras entrevistadas acham que pessoas negras estão sendo mais representadas hoje. Entre as pessoas negras, esse número cai para 57%, embora ainda seja a maioria. Essa é uma representatividade almejada: 58% das pessoas negras gostam de se ver representadas em comerciais.

Os influenciadores negros têm alto engajamento de modo geral: 59% dos entrevistados disseram seguir influenciadoras e influenciadores negros nas redes sociais. Entre pessoas negras entrevistadas, o número sobe para 64%.

Consumo

A luta contra o racismo se mostrou uma preocupação da maioria das pessoas, entre negros e não negros, segundo o estudo. Do total de entrevistados, 56% disseram que preferem comprar de empresas que apoiam a diversidade racial. E metade disse que já boicotou alguma empresa envolvida em caso de racismo pelo menos uma vez (52% entre entrevistados negros).

Além disso, a maioria dos respondentes (52%) diz que já consumiu produtos ou serviços que valorizem a cultura negra (54% entre entrevistados negros). As modalidades mais citadas foram: compra de pequenos produtores, profissionais autônomos ou empreendedores negros (48%), festas ou shows de música cujos artistas e público eram majoritariamente negros (37%) e eventos e palestras cujo tema era a questão étnico-racial (35%).


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