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Marcas de moda estão em ponto cego quando o assunto é inclusão, mostra estudo 

Imagem: Artificial Photography/Unsplash

O interesse das pessoas por moda está cada vez mais ligado à representação de identidades, manifestação de expressões e busca por conforto do que ao status social. Mas as marcas ainda estão distantes de compreender perfis e atender suas demandas, segundo mostra o estudo “Moda e Inclusão”, realizado pela MindMiners. O levantamento ouviu cerca de 3 mil respondentes pelo Brasil, com o objetivo de entender como diversas vivências e particularidades enxergam o mundo da moda.

De acordo com a pesquisa, quase a metade dos respondentes (49%) acredita que transmite sua essência pela forma como se veste. E 31% se acham capazes de analisar uma pessoa a partir da roupa que ela usa. Ou seja, parcelas significativas não apenas se expressam pela moda, como também leem e compreendem as pessoas ao seu redor por meio do que elas vestem – o que torna a moda um importante vetor social.

Os entrevistados foram ouvidos por meio de questionário online, entre 18 e 26 de abril, e a amostragem foi distribuída de acordo com a representatividade do IBGE. Ao todo, participaram 2972 pessoas, sendo 85 PCDs, 544 pessoas LGBTQIA+ e 340 com mais de 60 anos.

Como era de se esperar, o levantamento mostra que a moda exerce uma forte influência na auto imagem: 58% dos respondentes acham que a forma como se vestem impacta em sua autoestima. E 51% dos participantes dizem que têm um estilo próprio. Apenas 25% se vestem de acordo com tendências atuais.

Inclusão e diversidade

Quando olhados perfis minorizados, no entanto, fica claro que marcas estão deixando alguns públicos descobertos, que acabam não exercendo como gostariam a sua expressão pela moda, seja por falta de produtos adequados a eles, seja pelo fato de as marcas não compreenderem suas demandas e anseios.

LGBTQIA+: Para o público LGBTQIA+, por exemplo, a binaridade de gênero das roupas pode funcionar como barreira às compras. Para a maioria (71%), as pessoas podem e devem usar a roupa que quiserem, independentemente do gênero com que se identificam. Porém, uma fatia bem menor (49%) diz que consegue encontrar peças transitando pelos departamentos masculinos e femininos das lojas, denotando a falta das seções agênero. Não é de surpreender que 38% dos respondentes afirmam preferir comprar roupas de marcas totalmente focadas em moda LGBTQIA+. E, quando perguntadas qual marca de moda é um exemplo de representatividade, a grande maioria não consegue fazer nenhuma associação.

PCDs: Quando observadas as particularidades de grupos das pessoas com deficiência física, fica claro que o desejo não é correspondido pelo acesso à moda: 56% dos entrevistados dizem que se importam com a forma que vestem, e 71% dizem que a forma como se vestem impacta diretamente na autoestima. Porém, 44% sentem que as grandes lojas e marcas de roupas não são para eles. Além disso, para 41%, comprar roupas é uma experiência que, normalmente, é desagradável.

Público 60+: O cenário para o público sênior também não é de inclusão. Mais da metade dos respondentes maiores de 60 anos (57%) se importam muito com a forma como se vestem. No entanto, 69% sentem que as marcas de moda focam em produzir apenas para pessoas mais jovens, tanto em propagandas quanto nos modelos oferecidos. E 48% alegam que já deixaram de usar peças de roupa e acessórios que, para eles, não combinavam com a faixa etária.

 


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