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Representatividade negra o ano todo requer responsabilidade coletiva, diz mercado 

Imagem: Yingchou Han/Unsplash

Este é o momento em que muitos times de comunicação possivelmente estão lidando com briefings que falam de representatividade, olhando para o mês de novembro, quando se comemora o Dia da Consciência Negra. Mas por que só em novembro? Como trabalhar a representatividade negra o ano todo? Foi isso que perguntamos a profissionais da indústria da publicidade, do lado de marca, agência e entidade, para debater o assunto.

Joana Mendes, presidenta do Clube de Criação de São Paulo; Peter de Albuquerque, head de cultura e criatividade da Ambev; e Ricardo Silvestre, CEO da agência Black Influence, compartilharam suas ideias para que o mercado alcance uma publicidade antirracista, que represente as pessoas negras para além das datas comemorativas.

Conheça a visão dos profissionais:

Joana Mendes: responsabilidade coletiva


Para Joana Mendes, do Clube de Criação de São Paulo, a falta de representatividade negra na publicidade ao longo do ano é um reflexo de vários problemas estruturais. “Um deles é que a gente não tem pessoas negras o suficiente trabalhando na comunicação em nenhuma esfera, seja nas agências de publicidade, nos veículos, anunciantes”, afirma.

A solução, segundo ela, é a indústria assumir uma “responsabilidade coletiva”. “Em que todo o mercado publicitário se responsabilize, para que a gente tenha um lugar mais inclusivo, com pessoas negras trabalhando nesses espaços, se sentindo confortáveis em dar suas opiniões e sem sofrer retaliações por isso. Podendo ser consideradas como pessoas criativas dentro da indústria.”

Peter de Albuquerque: agenda de capabilities


“Vemos hoje no mercado ainda um pico de euforia culposa antirracista apenas do mês de novembro e um esquecimento integral por outros onze meses. Isso, ao meu ver, é uma evidência de que nós não temos pessoas negras ocupando as cadeiras estratégicas e de liderança das marcas neste país”, afirma Peter de Albuquerque, da Ambev.

Segundo ele, além da contratação de negros, as pessoas brancas que já ocupam cargos de liderança deveriam passar por letramento racial. “Isso pode ser acelerado com uma agenda de capabilities, que ofereça uma formação que decolonize o olhar do marketing nas empresas, a partir de treinamentos, palestras, formações, metas e KPIs. Essas abreviações que usamos para metas de lucro, deveríamos também usar para metas de cunho social e de inclusão.”

Ricardo Silvestre:  consultar quem sabe


Para Ricardo Silvestre, as marcas que não compreendem a importância de representar corretamente as pessoas negras o ano todo perdem conexão com um mercado consumidor significativo. “Tem uma regrinha da representatividade: se eu sou impactado por uma publicidade e não me sentir representado por aquele ator, influenciador, a chance de eu comprar um produto, contratar um serviço e compartilhar isso com outras pessoas é praticamente nula. Se eu não me sinto representado, não tem por que fazer uso desse produto ou serviço.”

Fazer essa virada de chave, segundo ele, requer interesse e coragem das marcas, que podem dar seus primeiros passos buscando ajuda de consultorias. “Precisamos de uma rede de parceiros que entendam muito bem sobre o assunto e façam isso de uma maneira honesta e genuína, que tenham recortes raciais dentro dos seus times internos para que essa comunicação seja desenvolvida de forma correta, saudável e assertiva”, diz.


Quem faz os conteúdos UOL para Marcas:

Apuração e redação: Renata Gama / Edição e redes sociais: Raphaella Francisco / Arte: Julianne Rodrigues
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