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Rogério Oliveira, da Pipoca: Marcas veem potência artística em blocos de Carnaval

Imagem: Divulgação

A participação de marcas no Carnaval de rua está cada vez mais presente pelo país. Essa aproximação ao longo dos anos tem transformado o olhar dos patrocinadores sobre as potencialidades da folia. Segundo Rogério Oliveira, fundador da Pipoca, que produz blocos carnavalescos e cria ações de marcas, é quando se enxerga a potência artística do Carnaval que as ativações se tornam mais criativas, envolventes e efetivas.

“Os briefings mostram uma maturidade das marcas, que estão percebendo o quão mais potente é quando suas ações se fundem com o projeto artístico do bloco, em vez de chegar com um projeto empacotado”, afirma.

Segundo Rogério, o Carnaval deixou de ser foco de interesse apenas de patrocinadores ligados diretamente à festa, e passou a atrair uma gama maior de setores. “São marcas que não têm mais só a ver com o lugar do estereótipo, da cerveja, preservativo e protetor solar, indo também para telefonia, moda, beleza, montadoras, um universo grande de áreas participando.”

Esse interesse vai ao encontro, segundo ele, do movimento efervescente dos festivais, que tem atraído diversas marcas. “A gente tem feito questão de aplaudir o número crescente de festivais e percebe muitas marcas entrando. Mas gostamos sempre de lembrar que o maior festival do Brasil é o Carnaval. O único que simultaneamente acontece em todas as cidades do país. É o festival no qual as pessoas mais se envolvem emocionalmente. Não tem outro em que elas se dediquem tanto, para produzir fantasias, estar com amigos, num alto nível de envolvimento e abertura.”

E, para que as ações de marcas aproveitem todo o potencial da folia, é necessário compreender a diversidade da rua e o perfil de cada bloco. “A marca sem conhecer o que é o Carnaval acaba fazendo uma ação intrusiva, idealizada no escritório, sem passar pela prova da realidade. É um desperdício de investimento. E, às vezes, isso afasta alguns blocos, porque os donos não querem estabelecer relação com marcas que trabalham nessa pressão.”

Foi em busca de aprofundar a relação da folia nas ruas com as marcas que a Pipoca, após cerca de uma década produzindo grandes blocos, criou este ano a Central do Carnaval. Trata-se de uma frente especializada em assessorar patrocinadores parceiros na folia, planejando e executando ativações, atreladas a estratégias de divulgação nas redes, por meio do núcleo Pipoca TV.

Os blocos grandes dependem da relação com marcas para existirem e remunerar melhor a cadeia cultural. E, após 10 anos fazendo captação para eles, a gente percebeu duas dores. Uma dor grande das marcas que ano a ano vêm se aproximando do Carnaval, querem propor um plano, mas não têm para quem ligar, ou têm de ligar só para os grandes, um a um. E a dor dos blocos, todos eles, não importa o tamanho, que ainda hoje têm problemas para fechar suas contas.”

Neste Carnaval, a Pipoca está na produção de mais de 20 blocos em São Paulo, entre eles alguns famosos como Monobloco, Bicho Maluco Beleza (Alceu Valença), Estado de Folia (Chico Cesar), Bloco da Maria (Maria Rita), Navio Pirata (BaianaSystem) e a volta da Orquestra Voadora.

Uma das ações planejadas para este ano é para o Guaraná Antarctica, em parceria com o Monobloco. “Neste Carnaval o bloco homenageia o tambor, e o Guaraná vem para potencializar o projeto artístico. Para isso construímos um carro alegórico forrado de tambores, com a marca aparecendo nas cores, nas frutinhas, sem essa coisa intrusiva. Com a soma do projeto artístico com a marca viabilizando, é possível produzir algo memorável e potente para o folião.”

 


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